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	<title>Caleidoscópio do Éden</title>
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	<description>Quero que a verdade me consuma até o último gole</description>
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		<title>Até onde você não iria.</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Jan 2012 13:34:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda Maia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<img width="188" height="136" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2012/01/Like-a-Stone_Audioslave-188x136.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="Like a Stone_Audioslave" title="Like a Stone_Audioslave" />Seu destino sempre foi o ouro. Jamais tive dúvidas. Só cuidei pra que o sim pudesse habitar sua existência, pra que pudesse regar suas experiências.  &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img width="188" height="136" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2012/01/Like-a-Stone_Audioslave-188x136.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="Like a Stone_Audioslave" title="Like a Stone_Audioslave" /><p></p><br /><p>Seu destino sempre foi o ouro. Jamais tive dúvidas. Só cuidei pra que o sim pudesse habitar sua existência, pra que pudesse regar suas experiências. Se fui um carrasco, se fui corrosiva à sua pele de menina, se fui tão vilã assim, também foi por ostentar as verdades das quais me vesti. E por mais louca que seja essa tempestade que sopra casas pelos ares, por mais que o Kansas já esteja longe de nós duas, haverá sempre um rebelde da motocicleta pra nos dar carona de volta pra casa. Porque eu fui mais do que contaminada com o seu dom de me levar ao Olimpo em poucos segundos com seus olhos gulosos e a textura alucinante da sua língua. Você também me fez insanamente mais do que sou. Mas agora, a música mudou, ou talvez a música tenha entrado no jogo de uma vez. Agora a conversa é outra, é hora da fada tornar-se mulher de corpo inteiro, pegar nas mãos os raios e galopar no cavalo dos ventos, como é seu destino, rumo ao ouro do Sol, rumo às leoas que te amarão com toda a santa intensidade que te pode ser presentada. Eu sei, porque é assim que um Leão me tomou e não faço a menor questão de não ser caça. Eu sei, porque o Caos que pulsa em meu coração diz que os tempos desse ano-par são outros. É tempo de queimar o passado e engolir doses generosas da paz do fim dos tempos. E se escolhi me deitar na cama da justiça, preciso te (nos) libertar para as inconsequências deliciosas que só o futuro pode sussurrar, rabiscar, propor. E se o preço for o seu ódio, eu lembrarei que isso nada mais é do que o duplo do amor. Pois que arda então, até o fim. Que queime com marcas de ferro no seu coração cada um dos momentos. Toda a sua determinação, toda a sua credulidade, todas as suas risadas nas quais me embriaguei. Todos os biquinhos, todos os arranhões, todos os beijos que me viciaram. Os ecos das noites rock’n roll que protagonizamos. E você jamais me conheceu tanto assim. Tampouco o séquito de desocupados que te acompanha alcança qualquer gemido que ouvimos a sós. O difícil vai ser encarar a cruel verdade. Você está pronta, e a culpa jamais caiu bem em mim. Do meu jeito torpe, eu amei você. Um amor envolto em fumaça, amor de filme <em>noir</em>, eternizado pela beleza de seu final infeliz, onde todos olham para um horizonte misterioso e pousam um copo de conhaque ao lado da máquina de escrever, que sombreia mais uma história de desejo e morte. E a morte é só o começo. Sempre. Agora vá.</p>
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		<title>Fractal</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Dec 2011 15:39:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bilhete Explícito]]></category>
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		<description><![CDATA[<img width="188" height="188" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2011/12/scorpio_constellation_by_adrianus92-d3338ts-188x188.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="scorpio_constellation_by_adrianus92-d3338ts" title="scorpio_constellation_by_adrianus92-d3338ts" />Ainda desnorteada. Ainda impregnada com o cheiro do duplo que habita você me queimando a pele escoriada. Ainda tonta, trêmula, ardida da sua fome. Ainda  &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img width="188" height="188" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2011/12/scorpio_constellation_by_adrianus92-d3338ts-188x188.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="scorpio_constellation_by_adrianus92-d3338ts" title="scorpio_constellation_by_adrianus92-d3338ts" /><p></p><br /><p>Ainda desnorteada. Ainda impregnada com o cheiro do duplo que habita você me queimando a pele escoriada. Ainda tonta, trêmula, ardida da sua fome. Ainda sôfrega de tanto ceder à sua urgência. Ainda excitada demais para pedir juízo ao universo. Ainda assim. Ainda assim, penso. Sei nada sobre o futuro. Sei pouco sobre tudo. Prefiro sentir a saber. As constelações me fizeram um duplo escorpião. É assim o meu Sol. É assim a minha Vênus. Nasci numa sexta-feira. Dia regido por Vênus. Aquela mulher de Vulcano e amante de Marte. Aquela que reina sobre o desejo. Aquela que exige o entrelace das línguas como sacrifício. Aquela que se banha de sangue e mel. Taí onde o perigo mora. Eu sou fêmea. Sou a obstinada mariposa que baila ao encontro da luz ao som de um tango inflamado. E você nasceu para criar. Não é assim? Não inventamos mundos a cada palavra riscada, a cada nota lançada? E se não no universo sagrado que escolhemos pertencer e onde jamais estaremos sós, ao menos nessa fractal, fui nas suas mãos instrumento de uma melodia que jamais me imaginei capaz de conhecer. Não. Conhecer não. Sentir. E eu não aprendi a fingir que não me importo. Daqui a pouco, daqui a pouquinho mesmo, o dia vai amanhecer pra mim, carregado de toda a desfaçatez do cotidiano, me lembrando dos ponteiros todos, das tatuagens por fazer, das distâncias, dos outros, dos sentimentos dos outros, dos certos, das décadas, das listas, das impossibilidades, das posições. E se farão novos arranjos e harmonias do reino da prudente ironia diária. E cumprirei minha promessa feita pela metade. E tudo voltará ao seu lugar. E o tudo se encherá novamente dos mais responsáveis silêncios. E eu serei aquela de sempre. E você também. E os dias se sucederão. E outras histórias, as histórias certas, virão. E aprenderemos finalmente a nos despedir. Mas é que. Mas é que ainda é tão cedo. Ainda ouço um pouquinho a mais. Ainda vejo os seus olhos nos meus. Ainda me sinto inacabada. Ainda me pergunto tudo. Ainda quero. Ainda desnorteada. Ainda. Ainda. Ainda.</p>
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		<title>Sobre a experiência que vivi em Breve, do Teatro da Queda</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 22:57:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda Maia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<img width="188" height="141" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2011/10/daisy-green-188x141.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="daisy-green" title="daisy-green" />Escrevi esse texto em 11 de Agosto de 2011. O mundo girou, girou e girou e ele ainda está fresquinho como se tudo tivesse sido  &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img width="188" height="141" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2011/10/daisy-green-188x141.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="daisy-green" title="daisy-green" /><p></p><br /><p><em>Escrevi esse texto em 11 de Agosto de 2011. O mundo girou, girou e girou e ele ainda está fresquinho como se tudo tivesse sido anteontem. E agora respira para o mundo, finalmente.</em></p>
<p>__</p>
<p>Não tenho vontade de julgar o mérito artístico de <strong>Breve</strong>, último espetáculo do Teatro da Queda, que assisti ontem no Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha. E não o farei. Portanto, os virtuais visitantes que resolverem me ler nesse texto, não devem esperar encontrar descrições resenhísticas sobre o evento. Na verdade, isso nem passou por minha cabeça quando resolvi escrever sobre um trabalho de teatro, coisa que não costumo fazer, aliás, acho que nunca fiz nesse Caleidoscópio. No entanto, o desejo de registrar por escrito minhas reflexões acerca da experiência que vivi ali me veio ainda durante a sessão. A experiência, sempre soberana.</p>
<p>Thiago Romero e eu não nos conhecemos bem, nos cruzamos algumas vezes no caldeirão do meio teatral de Salvador, temos amigos em comum, e curiosamente viemos do mesmo lugar, o Rio de Janeiro. Esse é o primeiro trabalho dele que assisto.  Cheguei a ouvir que o Teatro da Queda e o Teatro Saladistar tinham elos estéticos, pesquisas afins. Fui de coração aberto para finalmente adentrar aquele universo.</p>
<p>Confesso. Saí de lá inspirada. Pensando assim: há o novo, e o novo vem, e é absolutamente fabuloso quando podemos respirá-lo. Realmente tenho a sensação de que vi o resultado cênico de um processo que incluiu a verdade como elemento criativo. Não perdi meu tempo ao me sentar num espaço despojado da tão manjada configuração palco-platéia. Sentei-me para partilhar, e assim se deu a experiência, aqueles seres, atores, intérpretes, me deixaram enxergá-los, bem como vi Thiago, vi um grupo maior do que a soma de cada um, vi o futuro livre do ranso de regras sem alma, vi algo que quero ouvir, que me envolve e me interessa, mesmo que não seja meu, mesmo que não seja eu, mesmo – e graças por isso – não precise estar próximo a mim. São outras vidas, outras falas, outros mundos, outras existências. Graças por isso também.</p>
<p>Mais. Além de tudo isso, não me senti num consultório de psicanálise. Era teatro. Pensado, costurado, urdido. Como sempre repito, para além das conjecturas alheias de petulância, é necessário dominar o código, o que a famosa soberana Tríade que tanto cito enquanto artista – ator, espaço, espectador &#8211; nos mostra é que o efêmero da experiência teatral é aquilo que o torna mais poderoso. Verei mais do Teatro da Queda, feliz por novamente pensar na palavra Geração, tal qual pensei quando experimentei os generosos goles da paradoxal bebida do Alvenaria de Teatro, por seu caráter ébrio e entorpecente em simultâneo.</p>
<p>Durante <strong>Breve</strong>, me peguei sorrindo em êxtase de coração tranquilo, por pensar que ficaremos, todos nós que cremos, no mais amplo e diverso sentido, na comunhão. A cachaça do teatro é o aqui e agora, o <em>hic et nunc</em> que me repete aos olhos de dentro que não se fazem mais necessárias, não ali, as convenções de ilusão. Faz tempo que não vou a teatro para ser enganada. E aquela breve experiência de ontem, naquele CABARÉ DOS NOVOS, me fez mais verdadeira.</p>
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		<title>Bang, bang</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Sep 2011 02:27:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Frutos-espelho]]></category>

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		<description><![CDATA[<img width="188" height="141" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2011/09/Amanda-Set-3-20111-188x141.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="Amanda Set, 3 2011" title="Amanda Set, 3 2011" />(Ou, o texto em que escrevi a palavra não milhares de vezes) &#160; Quero me lembrar exatamente da sensação. Eu sabia que esse meu problema  &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img width="188" height="141" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2011/09/Amanda-Set-3-20111-188x141.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="Amanda Set, 3 2011" title="Amanda Set, 3 2011" /><p></p><br /><p>(Ou, o texto em que escrevi a palavra não milhares de vezes)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quero me lembrar exatamente da sensação.</p>
<p>Eu sabia que esse meu problema oftalmológico acabaria por prejudicar a minha vida em algum momento, em algum ponto. Não pode ser saudável enxergar os detalhes primeiro. Leva tempo pra formar o todo na mente. Daí você leva muito mais tempo pra formar uma opinião sobre aquilo que está bem na sua frente. É assim. É exatamente assim que acontece. A ficha demora milênios pra cair de fato, ou quando cai você já está absolutamente contaminado pela primeira percepção, que não é do todo, é só do detalhe. Eu vejo o mundo assim desde que abri os olhos pela primeira vez, nisso eu realmente não tenho escolha. E essa condição congênita moldou toda e qualquer perspectiva que eu tenho da vida. Não tem jeito. Eu vejo, eu sempre verei os detalhes primeiro. Não há poesia nisso. Nunca haverá. Não pra mim.</p>
<p>Então, eu sou lenta. Pra enxergar, eu digo. Mas é óbvio que não é só nisso. Toda essa inata situação em que me encontro fez de mim um ser absurdamente cauteloso pra formar opiniões, pra me entregar a elas. Também fez de mim alguém viciada em analisar possibilidades e pessoas. Estaria tudo certo se eu não fosse movida pela Vontade. Explico. Do que adianta toda essa cautela imbecil se vou me apaixonar do mesmo jeito? Se vou acreditar, se vou esperar que cumpram as promessas que me fazem? Se vou lembrar de tudo? Se só direi a amaldiçoada verdade?</p>
<p>Ando imaginando universos alternativos ultimamente. Onde eu só faço as coisas certas. Onde minhas decisões são pautadas pelas sensações dolorosas conduzidas por minha compulsão pela sinceridade expressa. Onde eu apago definitivamente aquilo que me machuca. Nesses universos as pessoas também me enxergam pelo que sou, não só pelo que pareço.</p>
<p>Não. Acho que ainda não cheguei ao ponto que realmente quero atingir. É assim. É que eu me apego aos detalhes. Meu coração é conduzido pelos detalhes que formam as pessoas. A minha perspectiva fragmentada sempre me diz que elas não são uma coisa só. Assim, quando finalmente entendo que alguém me faz mal, já é tarde demais. Já me apeguei. Já me fiz prisioneira. Que escorpiana de merda que eu sou.</p>
<p>Preciso aprender a dizer não. Preciso aprender a me lembrar da horrenda sensação de ser tratada com absoluto desprezo por quem não é digno de todo o amor que eu tenho pra dar. Afinal, quem disse que elas são obrigadas? Preciso aprender a dizer um grande e sonoro ‘VÁ SE FUDER’ àqueles que simplesmente não se importam. Oh, sim. Eu sei muito bem que já não tenho idade pra ser Hamlet. Estou mais pra um projeto de Rei Lear, não é? Não, eu não sou boazinha, outra condição que nasceu comigo. E ainda assim minha alma sabe se derramar em bem querer. Simplesmente me recuso a aderir à modinha do circo sem futuro. Vai entender. De uma coisa eu sei. Dos círculos, dos lados escuros, do Retorno. Talvez por ser essa escorpiana de merda, confio com toda a fé de cada gota do venenoso sangue que corre em minhas veias que a justiça sempre será feita. E estarei olhando nos olhos quando a lâmina abrir um sorriso largo no pescoço daquele que um dia ousar sorrir escarnecido do meu incomensurável desejo de amar. Daí eu sorrirei de volta com todo o prazer que minha natureza ansiosa me concede.</p>
<p>É simples, afinal. O diabo mora nos detalhes. Não me queira como inimiga. Demoro. Mas um dia, pedaço por pedaço, enxergo tudo.</p>
<p>Preciso aprender a dizer não. Preciso lembrar da sensação.</p>
<p>Nota mental feita. Que gire a roda do Tempo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eu bem que te avisei, meu amor. Milhares de vezes.</p>
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		<title>Então, o audiomídia diz que sou Orientadora</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Sep 2011 14:38:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda Maia</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Formatura]]></category>
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		<category><![CDATA[Ratoeira Cênica]]></category>
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		<category><![CDATA[Vestir os Nus]]></category>

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		<description><![CDATA[<img width="132" height="188" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2011/09/VESTIR-OS-NUS-Cartaz-132x188.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="VESTIR OS NUS Cartaz" title="VESTIR OS NUS Cartaz" />Na última quinta-feira estreou o espetáculo Vestir os Nus, texto do italiano Luigi Pirandello, adaptado pelo meu querido Hayaldo Copque. Este é o trabalho de  &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img width="132" height="188" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2011/09/VESTIR-OS-NUS-Cartaz-132x188.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="VESTIR OS NUS Cartaz" title="VESTIR OS NUS Cartaz" /><p></p><br /><p>Na última quinta-feira estreou o espetáculo Vestir os Nus, texto do italiano Luigi Pirandello, adaptado pelo meu querido Hayaldo Copque. Este é o trabalho de formatura em direção teatral de Ísis Barreto, a capricorniana mais determinada que conheço. Tive o prazer de ser sua orientadora, e essa já é uma segunda vez. Tenho muito orgulho de sua coragem em perseguir e realizar aquilo que realmente desejou. Agora o resultado está aí, para o mundo ver, para ganhar asas e fincar raízes na mente de todos aqueles que de fato se envolveram, se permitiram. Está aí, para o Tempo completar os porquês. Neste processo, fiz aquilo que mais gosto de fazer na vida. Aprendi. Lembrei-me da menina-deusa Adelice e de quando fui sua assistente, porque novamente me vi na desafiadora situação de enxergar e contribuir com o sonho de outro alguém. O exercício da vontade de doar aquilo que melhor havia em mim novamente se manifestou. Devo agradecer então, a Isis, minha Deusa egípcia de veneração, aquela da abundância e da justiça, e a Ísis, minha orientanda, aquela que passou por sua primeira prova na divina arte que escolheu, por essa tão privilegiada experiência. Afinal, um dia eu também me formei em direção teatral. Na mesma Escola. No mesmo Teatro Martim Gonçalves. Conheço bem essa sensação de coração saindo pela boca.</p>
<p>Fiz para o programa do espetáculo o escrito que transcrevo agora.</p>
<blockquote><p><strong>A menina que via o futuro com olhos generosos</strong></p>
<p>Lembro bem da primeira vez que soube de Ísis. Foi em uma dessas redes sociais, logo que ela passou no vestibular para Direção Teatral. Já ali, sinceramente deliciada com o mundo que a recebia, ela traçava planos, queria conhecer com uma pureza urgente seus companheiros de jornada. Desde então, nos pátios, salas e bastidores dos jardins dessa Escola, nunca a vi com menos intensidade em pertencer ao mundo caleidoscópico que adentrou. Ainda hoje sei. Sua maior característica é a imensa determinação que a governa, embora com ela eu tenha aprendido muito sobre generosidade. Firmeza de propósitos é pra poucos. Quando aliada à capacidade de corporificar necessidades artísticas, é o teatro quem ganha o presente. Do encontro em Valsa n<sup>o</sup> 6 à firme caminhada de Vestir os Nus, pude vê-la ganhar solidez na voz e coragem de abraçar seus sonhos, ainda que perdendo véus que não imaginou deixar de possuir. Agora a tão mística formatura, momento unanimemente temido e desesperadamente aguardado que marca o centro do circumponto, a cosmogênese da senda do porvir. Ísis escolheu adentrar a suntuosa sala de espelhos que se mostra nesse drama de Pirandello. Em seu projeto de encenação já havia exposta a vontade de despir de suas hipocrisias e vicissitudes aqueles que se fazem personagens nesta peça. Ao desmascará-los, o palco torna-se independente de qualquer resquício de linearidade, dando lugar a uma profusão de ângulos espinhosos e perigosamente mordazes, expressão exacerbada do que irradia o âmago dos olhos daqueles seres. O teatro é esse extraordinário modo de tornar real qualquer sonho. Sua Ercília Drei, fragmentada e tão profícua de julgamentos, acaba por nos revelar a todos, por nos despir, dada a nossa natureza impossível de uma síntese derradeira, a de todos nós eu digo. É de um cáustico prazer sair da experiência de Vestir os Nus ainda sem a conclusão de quem precisamente aquela governanta deveria ser. Entendo então que muito me ensinou a orientação deste rito de passagem vestido de intento artístico. E ainda me encanta a integridade desta &#8211; agora formanda &#8211; diretora teatral, em meio ao tão cruelmente desafiador processo de lidar com essa máquina de justificar ilusões e materializar encontros.</p></blockquote>
<p>_____</p>
<p>Pra saber mais sobre isso, há essa entrevista publicada no blog do Teatro Saladistar: <a href="http://www.teatrosaladistar.com/afago/blog/amanda-maia-fala-sobre-vestir-os-nus-isis-barreto-orientacao-e-conversa-de-bar-para-expandir-o-universo-do-diretor-teatral">http://www.teatrosaladistar.com/afago/blog/amanda-maia-fala-sobre-vestir-os-nus-isis-barreto-orientacao-e-conversa-de-bar-para-expandir-o-universo-do-diretor-teatral</a></p>
<p>Há também a matéria de Enoe Lopes Pontes para o Ratoeira Cênica: <a href="http://teatrosaladistar.com/ratoeiracenica/noticias/vestir-os-nus-espetaculo-de-formatura-de-isis-barreto-estreia-hoje-no-tmg">http://teatrosaladistar.com/ratoeiracenica/noticias/vestir-os-nus-espetaculo-de-formatura-de-isis-barreto-estreia-hoje-no-tmg</a></p>
<p>E há o blog do espetáculo: <a href="http://vestirosnus.blogspot.com/">http://vestirosnus.blogspot.com/</a></p>
<p>E, é claro, ainda dá tempo de assistir!</p>
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		<title>O último gole na festa do Jardim</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Sep 2011 14:48:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda Maia</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Sacerdócio]]></category>
		<category><![CDATA[O Jardim Secreto]]></category>

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		<description><![CDATA[<img width="188" height="125" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2011/09/O-Jardim-Secreto-de-Amanda-Maia-205-800x532-188x125.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="O-Jardim-Secreto-de-Amanda-Maia" title="O-Jardim-Secreto-de-Amanda-Maia" />Foi uma delícia. Às vezes eu me via perdida, embevecida em sensações tão diversas ao ver aqueles seres possuírem, transformarem, transmutarem algo que outrora foi  &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img width="188" height="125" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2011/09/O-Jardim-Secreto-de-Amanda-Maia-205-800x532-188x125.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="O-Jardim-Secreto-de-Amanda-Maia" title="O-Jardim-Secreto-de-Amanda-Maia" /><p></p><br /><p>Foi uma delícia. Às vezes eu me via perdida, embevecida em sensações tão diversas ao ver aqueles seres possuírem, transformarem, transmutarem algo que outrora foi apenas meu, fruto do desespero de quem é viciada em viver o momento.</p>
<p>Entendi também muito sobre estar com atores que caminham em uma linha esticada entre a entrega e a fuga, dada a natureza imediatista do processo que precisa ter sempre os olhos no resultado.</p>
<p>Tão diferente da minha senda da vida, do meu Teatro de Grupo, da minha natureza viansatânica. No entanto, ainda assim, a Verdade que foi o nascedouro deste Jardim Secreto se mostrou maior do que qualquer apertado cronograma, e resultou no contágio digno de qualquer movimento onde há o real Encontro. Honramos o Teatro.</p>
<p>Não sei o quão sinceros esses seres serão para admitir, assumir, confessar o quão intrincado foi o caminho percorrido nesse tão escorregadio terreno. Para além da cena, para além dos 18 minutos em que os Anos 80 tomavam posse, eu sei o que eu vi.</p>
<p>Eu sei dos silêncios absurdamente densos, dos sussurros em orelhas, das risadas de prazer banhado em culpa, do surpreendente, do inesperado, das falas com destinatário oculto. Eu sei de tudo o que jamais será contado.</p>
<p>Selaremos agora as correntes do portão desse Jardim, e agradecerei ao Universo por tudo o que experimentamos, ébrios da profusão de sensações que permitimos brotar de nossos mais recônditos desejos de devassidão.</p>
<p>E não haverá ressaca. Não haverá.</p>
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		<title>Sobre nosso acampamento de f&#233;rias</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Aug 2011 16:50:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bilhete Explícito]]></category>
		<category><![CDATA[Frutos-espelho]]></category>
		<category><![CDATA[Sacerdócio]]></category>
		<category><![CDATA[caleidoscópio]]></category>
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		<category><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></category>
		<category><![CDATA[Fabiana Maia]]></category>
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		<category><![CDATA[Marie]]></category>
		<category><![CDATA[O Jardim Secreto]]></category>
		<category><![CDATA[Ratoeira Cênica]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro Saladistar]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Diomondes]]></category>

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		<description><![CDATA[<img width="124" height="188" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2011/08/JS-Bastidores-3-124x188.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="JS Bastidores (3)" title="JS Bastidores (3)" />Estamos na penúltima apresentação do intento artístico mais divertido que o Teatro Saladistar já ousou fazer até hoje, e ainda não fiz uma reflexão sobre  &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img width="124" height="188" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2011/08/JS-Bastidores-3-124x188.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="JS Bastidores (3)" title="JS Bastidores (3)" /><p></p><br /><p>Estamos na penúltima apresentação do intento artístico mais divertido que o Teatro Saladistar já ousou fazer até hoje, e ainda não fiz uma reflexão sobre o masaico que se formou tão incrivelmente fascinante diante dos meus olhos.</p>
<p>Lembro que a redatora-sênior do Ratoeira Cênica, Enoe Lopes Pontes, me perguntou na <a href="http://teatrosaladistar.com/ratoeiracenica/reportagens/na-sala-com-o-saladistar" target="_blank">entrevista</a> que realizou para o Ratoeira Cênica com os quatro diretores do Ato de 4 Especial, qual era a minha sensação ao ver outras pessoas montando um texto que escrevi, posto que sou diretora também. De pronto respondi que aquela era, pra mim, a maior graça de todas dentro do projeto. Revelo agora que é mais do que uma graça, era um desejo antigo. Sim, eu queria ser escritora, blá, blá, blá. Todo mundo já sabe. Pois sim. Realizei-me.</p>
<p>Na estreia, eu ficava  seguidamente sem ar a curtíssimos intervalos de tempo. Que delícia ver um [mesmo] texto respirar outros aromas, outras formas, outras cores, outros ritmos. Ouvir outras vozes e olhares para aquilo que escrevi, ter a nítida e fabulosa percepção de que aquilo é realmente do mundo, que não pertence mais ao meu umbigo. Quando propus esse, como costumo dizer, acampamento de férias, já que após a realização desse projeto entraremos absolutamente de cabeça em um outro processo artístico de extrema necessidade de dedicação, sabia que seria uma grande celebração da coletividade. Seria colocar mesmo os confrades do Teatro Saladistar em movimento, e ainda agregar mais gente de teatro, promover novos Encontros, honrar o nosso Manifesto.</p>
<p>Talvez a maior de todas as satisfações seja atestar a verdade do meu coração mais uma vez. Há tantas primeiras vezes envolvidas nesse ‘Saladistar no Ato’ que. Tem a primeira assinatura de Victor Diomondes, meu fiel assistente de todas as horas, na direção. Tem a estreia de Jones Mota como diretor no Coletivo, algo que eu queria ver há muito tempo. Tem a primeira vez de Marie como confrade, tendo a oportunidade de construir suas próprias conclusões sobre a gente do Saladistar, à revelia de todo o folclore que nos ronda. E fizemos tudo com tanto prazer, com tanta leveza, com tanta fé. Não houve competição, mágoas, rusgas, nada. Não há outra palavra melhor pra definir o processo: diversão.</p>
<p>Ficamos ali, os quatro diretores, no quadradinho suspenso da técnica da Sala 5, com a ilustre companhia da Fabiana Maia (nossa super produtora) e Francisco Vilares (Chico, o [de longe] membro mais fantástico da equipe d’O Ato de 4) e vibramos tanto, brotam de nós sorrisos com tanta facilidade, curtimos imensamente as cenas que não são nossas, e são também. E fomos presenteados pelos Deuses do Teatro ao escolher a sequência perfeita. Quem for nos ver constatará que o encadeamento das versões é perfeito. A poética de cada um faz o todo tornar-se mesmo um imenso, colorido e sensual caleidoscópio.</p>
<p>E os atores? Alguns arredios, outros completamente dados às novidades, e todos dotados de uma honestidade, de um gozo ao interpretar aqueles personagens, de uma dedicação que. Sinto-me honrada. Verdadeiramente honrada por ouvir minha criação naquelas bocas, na pele com pele, nas gotas de suor e vinho, e whisky e por ter sido aceita para habitá-los naquele momento.</p>
<p>Estamos agora na metade do caminho. Hoje teremos mais uma apresentação e na semana que vem, a derradeira. Mas já há rumores de que nosso acampamento de férias voltará pelo menos uma vez ao ano. Faz muito bem arejar. E não tenho um pingo de medo de estar declaradamente feliz com o que conquistamos. Não me furtarei a registrar isso.</p>
<p>_____</p>
<p>É Fabiana Maia, tão importante pra nós nesse intento artístico, quem adorna essa postagem.</p>
<p>Pra quem quiser acompanhar o tumblr da minha versão d’O Jardim Secreto: <a href="http://www.umsofabranco.tumblr.com">http://www.umsofabranco.tumblr.com</a></p>
<p>Mais sobre O Jardim Secreto nesses links:</p>
<p><a href="http://teatrosaladistar.com/ratoeiracenica/noticias/divulgacao/ato-de-4-especial-o-jardim-secreto-nas-segundas-feiras-de-agosto-na-sala-5-da-escola-de-teatro">http://teatrosaladistar.com/ratoeiracenica/noticias/divulgacao/ato-de-4-especial-o-jardim-secreto-nas-segundas-feiras-de-agosto-na-sala-5-da-escola-de-teatro</a></p>
<p><a href="http://teatrosaladistar.com/ratoeiracenica/reportagens/na-sala-com-o-saladistar">http://teatrosaladistar.com/ratoeiracenica/reportagens/na-sala-com-o-saladistar</a></p>
<p>O álbum completo de Izabella Valverde no flickr do Ratoeira Cênica: <a title="http://www.flickr.com/photos/ratoeiracenica/sets/72157627472595574/" href="http://www.flickr.com/photos/ratoeiracenica/sets/72157627472595574/">http://www.flickr.com/photos/ratoeiracenica/sets/72157627472595574/</a></p>
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		<title>O Jardim e o Loop</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Aug 2011 14:57:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Frutos-espelho]]></category>
		<category><![CDATA[Sacerdócio]]></category>
		<category><![CDATA[John Hughes]]></category>
		<category><![CDATA[O Jardim Secreto]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[<img width="188" height="124" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2011/08/JS-de-Amanda-Maia-5-188x124.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="JS de Amanda Maia (5)" title="JS de Amanda Maia (5)" />Não há dúvidas. A Amanda dramaturga e a Amanda encenadora são duas pessoas distintas. Lembro-me perfeitamente da criação do último quadro d’O Jardim Secreto. Nele,  &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img width="188" height="124" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2011/08/JS-de-Amanda-Maia-5-188x124.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="JS de Amanda Maia (5)" title="JS de Amanda Maia (5)" /><p></p><br /><p>Não há dúvidas. A Amanda dramaturga e a Amanda encenadora são duas pessoas distintas. Lembro-me perfeitamente da criação do último quadro d’O Jardim Secreto. Nele, ao som da música Luíza (Tom Jobim), cantada por Chico Buarque, a personagem Inês se declara em súplica para a personagem Luíza. É mais que isso. A personagem ganhou o nome por causa da música. E a música refletia perfeitamente o desejo que eu sentia. Aquele quadro era a grande declaração de amor contida em código na peça. Era a verdade coberta por camadas infinitas de significado. A semiologia típica que habita o que realizo.</p>
<p>Quando resolvi remontar esse Jardim, eu sabia que havia mudado muito. Não só emocionalmente, mas também artisticamente. O plano platonico já não me interessa mais, nem um pouco.</p>
<p>Meu diálogo cênico neste intento artístico partiu do desafio de cavar em mim a realização no palco de uma verdadeira obra de ficção. Nada de questões autobiográficas e terapêuticas. Peraí. Deixa eu explicar direito, parece até que estou desmerecendo o passado. O que acontece é que fiz esse dramatículo, há 5 anos atrás, para declarar um desejo. E os ingredientes o tornaram algo novo, maior do que eu ou do que minhas intenções iniciais. É o poder da arte coletiva. O produto final, a encenação, é a soma de todas as partes envolvidas, e maior do que todas elas juntas, pois receberá o olhar decodificador do público. Não só isso, mas o próprio processo modifica tudo. O processo é sempre soberano em uma obra. O processo é o mapa que se desvela enquanto é seguido. Aquela velha história de Pareyson e sua Lei da Obra de Arte.</p>
<p>Pois dessa vez, fiz com que meu ponto de partida fosse apenas o que este intento me instigasse a fazer. Daí veio os anos 80 (e início dos 90) e toda a profusão de emoções intensas, frenéticas e inconsequentes que essa época me oferecia. Sucedeu que, o processo soberano colocou decisões difíceis diante de mim à medida em que se incorpava, se desprendia tal como uma bolha de sabão soprada em um daqueles brinquedinhos de criança.</p>
<p>Uma dessas decisões foi manter a tal música que justificava tanta coisa antes. Bati pé firme na minha cabeça de que a música ficaria até o penúltimo ensaio. E vou confessar. A sensação de liberdade e prazer gerada da resolução de não utilizá-la vai entrar para o meu Top 5 de orgasmos artísticos. Obviamente que o oroboros também aí se manifesta. Onde busquei a música que substituiria Luíza? Em mim. Nas minhas memórias dos anos 80, quando eu adorava minha tia adolescente e aprendia dela toda a base do que eu seria nessa fase. Lembrei-me dos filmes de John Hughes. Lembrei-me dos meus primeiros amores, todos tão mais velhos do que eu e tão distantes, tão platonicos (rs). Fiz o <em>loop</em>. Achei a música. Aquela que ainda me arrepia hoje, eu uma menina de 31 anos, uma mulher dos anos 80. Incoerente e sempre apaixonada. Exagerada em cada gota de sentimentos.</p>
<p>Então, <em>I do my crying in the rain </em>do A-ha encerra meu pequeno grande idílio nesta versão do dramatículo.</p>
<p>Mas devo exercer a minha tão cultuada sinceridade e revelar que ali também, naquela música, há camadas e camadas e uma nova declaração para o agora. No fim das contas eu não posso fugir dele, meu coração. E assim eu faço <em>loop </em>novamente. Sempre. Oroboros.</p>
<p>________</p>
<p>Sim, a foto de Izabella Valverde é mesmo do momento que antecede em segundos o momento em que a música toca. A declaração com o coração na boca.</p>
<p>Pra quem quiser acompanhar o tumblr da minha versão d’O Jardim Secreto: umsofabranco.tumblr.com</p>
<p>Mais sobre O Jardim Secreto nesses links:</p>
<p><a href="http://teatrosaladistar.com/ratoeiracenica/noticias/divulgacao/ato-de-4-especial-o-jardim-secreto-nas-segundas-feiras-de-agosto-na-sala-5-da-escola-de-teatro">http://teatrosaladistar.com/ratoeiracenica/noticias/divulgacao/ato-de-4-especial-o-jardim-secreto-nas-segundas-feiras-de-agosto-na-sala-5-da-escola-de-teatro</a></p>
<p><a href="http://teatrosaladistar.com/ratoeiracenica/reportagens/na-sala-com-o-saladistar">http://teatrosaladistar.com/ratoeiracenica/reportagens/na-sala-com-o-saladistar</a></p>
<p>O álbum completo de Izabella Valverde no flickr do Ratoeira Cênica: <a title="http://www.flickr.com/photos/ratoeiracenica/sets/72157627472595574/" href="http://www.flickr.com/photos/ratoeiracenica/sets/72157627472595574/">http://www.flickr.com/photos/ratoeiracenica/sets/72157627472595574/</a></p>
<p>E pra quem quiser ouvir a nova música que escolhi pra fechar o quarto quadro do dramatículo:</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Utopia</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Aug 2011 05:22:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Frutos-espelho]]></category>
		<category><![CDATA[Balada do amor inabalável]]></category>
		<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Sórdida Esperança]]></category>

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		<description><![CDATA[<img width="188" height="148" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2011/08/Utopia-a-188x148.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="Utopia a" title="Utopia a" />Um conto [de fadas, talvez] do lado mais insuportavelmente doce de mim, que carrega a cor insólita de uma incorrigível e irritante esperança. Sórdida esperança.  &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img width="188" height="148" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2011/08/Utopia-a-188x148.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="Utopia a" title="Utopia a" /><p></p><br /><p><span style="font-family: georgia; font-size: small"><em><font size="4">Um conto [de fadas, talvez] do lado mais insuportavelmente doce de mim, que carrega a cor insólita de uma incorrigível e irritante esperança. Sórdida esperança.</font></em></span></p>
<p><span style="font-family: georgia; font-size: small"><font size="4">Era em algum lugar entre um bairro e outro onde se pode ver o mar de todas as casas. Mais que isso. Onde se pode ter o mar apenas ao atravessar a rua. Era noite, ainda bem longe da hora em que quase todos costumam dormir. Ventava tanto que não havia modo de manter seu cabelo contido, enquanto ela aguardava, sentada na mureta que protege os que andam na calçada da areia da praia. Ela lembrou de um outro tempo em que houve uma caminhada pela mesma calçada, quando decidiram o destino de sua década juntos. Seus pensamentos lutavam por uma organização, embora pairasse a certeza de sua gratidão pelo primeiro tempo que lhes foi dado. Não tardou para que ele chegasse com os seus olhos futuristas e seu eterno sorriso de meio tento. Sentou-se ao lado dela. Houve uma imesidão de segundos lentos e mudos. Ela se decidiu a falar, mas foi ele quem rompeu o silêncio. <em>Pedi para você vir até aqui porque quero ouvir o que você tem a dizer. Isso não é comum em mim, você bem sabe, afinal você sempre disse tanto. Mas sei que é preciso. Quero te ouvir.</em> E mais uma vez aquela sensação de que o coração iria correr desesperadamente desgovernado se ela ousasse abrir a boca a tomou por alguns instantes. Só impressão. Lembrou-se que o truque era respirar. Tomou um corajoso gole daquele ar salgado e se abriu de uma vez. <em>Quero que você entenda que não precisa ter medo de mim</em>, disse ela. E tão impressionada com o som cristalino da verdade de suas palavras, continuou. <em>Sei do modo como você vê o mundo muito mais do que posso expressar. Não tentarei te trazer de volta ao universo que te sufoca. Eu não procuro a perfeição nesse mundo. Nem no meu, nem no seu, nem no de ninguém. A cada dia a sua ausência das coisas simples me mostra a grandeza dos pontuais momentos em que esses mundos, os nossos, estiveram em comunhão. Não consigo deixar de desejar ser feliz, e jamais conceberia essa possibilidade sem que você estivesse feliz também. Eu não quero voltar aos redemoinhos do passado. Quero criar um lar em mim, onde eu me sinta acolhida e confortável, acalentada pelo absoluto me bastar em mim mesma. Não quero muletas, tampouco amarras. Eu quero viver. E quero amar você, no tão-somente único que esse verbo pode criar. Não tenha medo de mim, meu amor. Já morri pra entender que nossos caminhos apontam para lados distintos. E estou inteira aqui, no agora. </em>Foi tudo de um só golpe, que ele absorveu em um só olhar descompassado, absorto pelo inesperado da declaração. <em>Então é só isso, </em>indagou, um tanto incrédulo, antes de dizer mais. <em>Porque eu esperava algum tipo de incômodo pedido. Porque eu também gostaria de te dizer algumas coisas. É que temos a mais imensa das histórias. É por que o que sou, construí ao seu lado, enquanto você se construía também. E assim eu não posso nem brincar em não querer te ter naquilo que ainda construirei. Sinto falta da sua voz derramada em sugestões de caminhos, perguntando ao meu coração indeciso o que ele queria mesmo naquela hora. Porque a generosidade sempre foi o seu nome, mesmo com toda a caótica intensidade que sempre te vestiu. Mas tenho medo sim. Tenho medo de não ser só quem eu quiser ser. </em>Ela se prometeu não chorar, mas achou que seria mais difícil lutar contra isso. Não. Ao invés de lágrimas foi um grande sorriso, daqueles que tomavam toda a sua boca larga quando vinham de sua essência, que a preencheu. Foi do sorriso que brotou o que disse a seguir. <em>É que somos irmãos. Nos pertencemos para além dos corpos que usamos aqui. Estava escrito o nosso encontro. E ele é eterno. E sagrado. O querer bem cria raízes inquebrantáveis. Só precisamos honrar o presente que nos foi dado. </em>Foi quando o sorriso o contaminou também, acompanhando a linha que ligou os olhos de um nos olhos do outro. <em>Então eu posso amar você? </em>Ele gargalhou e soluçou ao mesmo tempo. Daí veio, finalmente a vontade dela chorar. <em>Como se o contrário fosse possível pra qualquer um de nós. Sabe? Sempre teremos aquela praia, aliás não só aquela, sempre teremos todas as praias, assim como será nosso aquele céu de mil estrelas. Sempre. Eu só quero não te ver sumir da minha vida, assim como quero ter o prazer de participar da sua. Não fomos destinados a nos verter em lembranças esmaecidas um para o outro. É só. </em>Mais alguns silêncios de verdade que faz efeito imediato e encharca qualquer alma daquela sensação aquecida de quando a solidão vai embora. E foi aquela também a temperatura do abraço que se desenhou aos poucos, até se desenrolar para atá-los num verdadeiro sol na noite, um abraço inteiro de quem jamais se perderá novamente.</font></span></p>
<p><span style="font-family: georgia; font-size: small"><font size="4">E então, foram comer uma pizza, enquanto num rádio qualquer podia ouvir-se ao longe aquela balada. A balada do amor inabalável.</font></span></p>
<p>&#160;</p>
<p><span style="font-family: georgia; font-size: small">________</span></p>
<p>Leva essa canção de amor dançante   <br />Pra você lembrar de mim, seu coração lembrar de mim    <br />Na confusão do dia-a-dia, no sufoco de uma dúvida    <br />Na dor de qualquer coisa    <br />É só tocar essa balada de suingue inabalável    <br />Que é oásis pro amor Eu vou dizendo na seqüência bem clichê    <br />Eu preciso de você    <br />É força antiga do espírito    <br />Virando convivência de amizade apaixonada    <br />Sonho, sexo, paixão    <br />Vontade gêmea de ficar e não pensar em nada    <br />Planejando pra fazer acontecer    <br />Ou simplesmente refinando essa amizade    <br />Eu vou dizendo na seqüência bem clichê    <br />Eu preciso de você    <br />Mesmo que a gente se separe por uns tempos    <br />Ou quando você quiser lembrar de mim    <br />Toque a balada do amor inabalável    <br />Suingue de amor nesse planeta    <br />Mesmo que a gente se separe por uns tempos    <br />Ou quando você quiser lembrar de mim</p>
<p><strong>Balada do Amor Inabalável.</strong> Samuel Rosa, Fausto Fawcett.</p>
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		<title>Realidade</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Aug 2011 05:10:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amanda Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bilhete Explícito]]></category>
		<category><![CDATA[Frutos-espelho]]></category>

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		<description><![CDATA[<img width="188" height="141" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2011/08/Anjo-da-Vingança-188x141.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="Anjo da Vingança" title="Anjo da Vingança" />Acho que a verdadeira dor que sinto é não poder amar você. Essa rejeição do meu afeto soa em meus sentidos como a obrigação de  &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img width="188" height="141" src="http://teatrosaladistar.com/amamaia/wp-content/uploads/2011/08/Anjo-da-Vingança-188x141.jpg" class="attachment-medium wp-post-image" alt="Anjo da Vingança" title="Anjo da Vingança" /><p></p><br /><p><span style="font-family: Georgia; font-size: medium;">Acho que a verdadeira dor que sinto é não poder amar você. Essa rejeição do meu afeto soa em meus sentidos como a obrigação de aceitar a sua morte em vida. Jamais serei boa em não guiar meus passos conforme me manda meu coração. A grandessíssima falácia de que não há razão num peito que se enche de lágrimas não derramadas não me convence. Porque você não morreu, então se faz impossível fingir sua não-importância. Ademais não foi assim que me foi prometido. Eu não nasci pra te odiar. No auge da dor da injustiça injetada em minhas veias podres, me agarro à essa necessidade tosca. Sempre em vão. Não nasci pra isso e sinto que caminho para o precipício pelo desmazelo esdrúxulo e despropositado que me é concedido. Parece que fui amaldiçoada então a ver meus dias se arrastarem em busca de um antídoto para sua existência. Mas ele não vem, jamais virá, porque está errado. Não é assim que deve ser. NÃO É ASSIM QUE DEVE SER. Não é assim. Não é.</span></p>
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