Longe de ser linear, o tempo guia os pensamentos. Vez ou outra me sinto na garganta da solidão, fincando unhas em cavidades rasas pra não sucumbir de vez ao poço sem fundo. Não, não se trata de uma crise-existencial-tipicamente-escorpiana. Trata-se do caminho que trilho no Mestrado em Artes Cênicas. Céus! A verdade tem que ser dita, como me sinto só. Num vislumbrar perverso, como Marfuz já diria, vejo todos tão seguros, e tão pouco enebriados, enfeitiçados, por seu ‘objeto’.
Hoje na aula da Pesquisa em Artes Cênicas da professora Ângela Reis, já coloquei as unhas de fora, por sentir que escorregava um pouco mais no túnel gigante e escuro destinado aos que se sentem solitários. “Não tem jeito”, disse ela. “Você sempre vai falar de si no seu projeto”. Não encontrei eco. Um arrepio acendeu e ascendeu até espiralar acima de minha cabeça com a próxima sentença. “O espectador pode construir seus documentos. Construir em si mesmo suas próprias fontes”.
Como observar sem mergulhar? Como ter acuidade na observação estando absolutamente comprometida, contaminada, contagiada com o objeto? Onde está o lugar do erro quando é você quem conduz e tem que lidar com o erro do outro?
Será que eu preciso ser também atuante para compreender a energia criada? O meu objeto é a possibilidade do ator gerar esta energia ou a capacidade do diretor de fazer o ator gerar esta energia?
Sim, é matemática demais. Bem que Heisenberg me avisou.
O bom é dentro do mesmo Princípio eu olho pro lado na sala de aula e avisto o cabelo de sol de Adelice Souza pra me oferecer menthos, conversas no ouvido e o coração imenso dos melhores amigos.




Um Comentário
Nunca tinha observado, mas você sente inquietações… Surpreendente.