Quando só resta o sonho da ventura, é hora de amanhecer. O sol encosta seu primeiro acorde no rosto que estranha a hora. Mas, já? E as promessas de travessuras? É hora. Aquela que nada deixa de sentido, só a verdade límpida e fresca do adeus ao verão. Os dias do agora são cinzentos, e nem por isso invejam qualquer exaustivo esplendor. Talvez só aquele amarguinho do seria. É hora. Assuntos inacabados, corram já pra debaixo do tapete! Descansem até a próxima primavera com suas falas de exuberância. Nada de ruídos no meu anti-verão. Só a marcha das nuvens que se apressam a chorar copiosamente a morte das ilusões. E a rainha desse samba está prestes a soar seu grito mudo mais uma vez. É hora. Desperta! Abra os braços pra receber o inefável sabor do adeus. Alguém, por favor, me varra pra debaixo do tapete também, porque me quebrei em tantas promessas que. É hora.
E mais uma mentira. Nunca, jamais outra vez.
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Imagem: Francisco de Goya. The Straw Manikin (El Pelele)




Um Comentário
Uma linda imagem, um lindo texto. "Goya enlouqueceu e eu não vou nada bem".