Ainda desnorteada. Ainda impregnada com o cheiro do duplo que habita você me queimando a pele escoriada. Ainda tonta, trêmula, ardida da sua fome. Ainda sôfrega de tanto ceder à sua urgência. Ainda excitada demais para pedir juízo ao universo. Ainda assim. Ainda assim, penso. Sei nada sobre o futuro. Sei pouco sobre tudo. Prefiro sentir a saber. As constelações me fizeram um duplo escorpião. É assim o meu Sol. É assim a minha Vênus. Nasci numa sexta-feira. Dia regido por Vênus. Aquela mulher de Vulcano e amante de Marte. Aquela que reina sobre o desejo. Aquela que exige o entrelace das línguas como sacrifício. Aquela que se banha de sangue e mel. Taí onde o perigo mora. Eu sou fêmea. Sou a obstinada mariposa que baila ao encontro da luz ao som de um tango inflamado. E você nasceu para criar. Não é assim? Não inventamos mundos a cada palavra riscada, a cada nota lançada? E se não no universo sagrado que escolhemos pertencer e onde jamais estaremos sós, ao menos nessa fractal, fui nas suas mãos instrumento de uma melodia que jamais me imaginei capaz de conhecer. Não. Conhecer não. Sentir. E eu não aprendi a fingir que não me importo. Daqui a pouco, daqui a pouquinho mesmo, o dia vai amanhecer pra mim, carregado de toda a desfaçatez do cotidiano, me lembrando dos ponteiros todos, das tatuagens por fazer, das distâncias, dos outros, dos sentimentos dos outros, dos certos, das décadas, das listas, das impossibilidades, das posições. E se farão novos arranjos e harmonias do reino da prudente ironia diária. E cumprirei minha promessa feita pela metade. E tudo voltará ao seu lugar. E o tudo se encherá novamente dos mais responsáveis silêncios. E eu serei aquela de sempre. E você também. E os dias se sucederão. E outras histórias, as histórias certas, virão. E aprenderemos finalmente a nos despedir. Mas é que. Mas é que ainda é tão cedo. Ainda ouço um pouquinho a mais. Ainda vejo os seus olhos nos meus. Ainda me sinto inacabada. Ainda me pergunto tudo. Ainda quero. Ainda desnorteada. Ainda. Ainda. Ainda.
Posso ser bem radical quando se trata do meu sacerdócio. Meu suor é feito de veneno viansatãnico. Não é por dinheiro, não é por moda, não é por profissão. Já se misturou a mim no nível celular, molecular, atômico. Não há que se entender nada os forasteiros, não me interessa os olhos esbugalhados de quem […]
Lumus, nosso primeiro espetáculo, será um daqueles marcos históricos que já nos são tão peculiares, e nem por isso menos grandioso. Após mais de 2 anos juntos, completaremos um ciclo, que se iniciou no ano passado e todas as perguntas filosóficas que nos impomos, e todas as respostas religiosas que obtemos. Lumus será a chegada […]
Fractal
Ainda desnorteada. Ainda impregnada com o cheiro do duplo que habita você me queimando a pele escoriada. Ainda tonta, trêmula, ardida da sua fome. Ainda sôfrega de tanto ceder à sua urgência. Ainda excitada demais para pedir juízo ao universo. Ainda assim. Ainda assim, penso. Sei nada sobre o futuro. Sei pouco sobre tudo. Prefiro sentir a saber. As constelações me fizeram um duplo escorpião. É assim o meu Sol. É assim a minha Vênus. Nasci numa sexta-feira. Dia regido por Vênus. Aquela mulher de Vulcano e amante de Marte. Aquela que reina sobre o desejo. Aquela que exige o entrelace das línguas como sacrifício. Aquela que se banha de sangue e mel. Taí onde o perigo mora. Eu sou fêmea. Sou a obstinada mariposa que baila ao encontro da luz ao som de um tango inflamado. E você nasceu para criar. Não é assim? Não inventamos mundos a cada palavra riscada, a cada nota lançada? E se não no universo sagrado que escolhemos pertencer e onde jamais estaremos sós, ao menos nessa fractal, fui nas suas mãos instrumento de uma melodia que jamais me imaginei capaz de conhecer. Não. Conhecer não. Sentir. E eu não aprendi a fingir que não me importo. Daqui a pouco, daqui a pouquinho mesmo, o dia vai amanhecer pra mim, carregado de toda a desfaçatez do cotidiano, me lembrando dos ponteiros todos, das tatuagens por fazer, das distâncias, dos outros, dos sentimentos dos outros, dos certos, das décadas, das listas, das impossibilidades, das posições. E se farão novos arranjos e harmonias do reino da prudente ironia diária. E cumprirei minha promessa feita pela metade. E tudo voltará ao seu lugar. E o tudo se encherá novamente dos mais responsáveis silêncios. E eu serei aquela de sempre. E você também. E os dias se sucederão. E outras histórias, as histórias certas, virão. E aprenderemos finalmente a nos despedir. Mas é que. Mas é que ainda é tão cedo. Ainda ouço um pouquinho a mais. Ainda vejo os seus olhos nos meus. Ainda me sinto inacabada. Ainda me pergunto tudo. Ainda quero. Ainda desnorteada. Ainda. Ainda. Ainda.
Share on Tumblr
Do Caos, meu tumblr
05/18/12
05/18/12
05/18/12
Curvilínea (Publicado com o Instagram)
05/17/12
Que saia pela boca aquilo que é sujo porque é santo.
Théâtre des Vampires: CUPRUM (by TeatroSaladistar)
05/15/12