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Fractal

Ainda desnorteada. Ainda impregnada com o cheiro do duplo que habita você me queimando a pele escoriada. Ainda tonta, trêmula, ardida da sua fome. Ainda sôfrega de tanto ceder à sua urgência. Ainda excitada demais para pedir juízo ao universo. Ainda assim. Ainda assim, penso. Sei nada sobre o futuro. Sei pouco sobre tudo. Prefiro sentir a saber. As constelações me fizeram um duplo escorpião. É assim o meu Sol. É assim a minha Vênus. Nasci numa sexta-feira. Dia regido por Vênus. Aquela mulher de Vulcano e amante de Marte. Aquela que reina sobre o desejo. Aquela que exige o entrelace das línguas como sacrifício. Aquela que se banha de sangue e mel. Taí onde o perigo mora. Eu sou fêmea. Sou a obstinada mariposa que baila ao encontro da luz ao som de um tango inflamado. E você nasceu para criar. Não é assim? Não inventamos mundos a cada palavra riscada, a cada nota lançada? E se não no universo sagrado que escolhemos pertencer e onde jamais estaremos sós, ao menos nessa fractal, fui nas suas mãos instrumento de uma melodia que jamais me imaginei capaz de conhecer. Não. Conhecer não. Sentir. E eu não aprendi a fingir que não me importo. Daqui a pouco, daqui a pouquinho mesmo, o dia vai amanhecer pra mim, carregado de toda a desfaçatez do cotidiano, me lembrando dos ponteiros todos, das tatuagens por fazer, das distâncias, dos outros, dos sentimentos dos outros, dos certos, das décadas, das listas, das impossibilidades, das posições. E se farão novos arranjos e harmonias do reino da prudente ironia diária. E cumprirei minha promessa feita pela metade. E tudo voltará ao seu lugar. E o tudo se encherá novamente dos mais responsáveis silêncios. E eu serei aquela de sempre. E você também. E os dias se sucederão. E outras histórias, as histórias certas, virão. E aprenderemos finalmente a nos despedir. Mas é que. Mas é que ainda é tão cedo. Ainda ouço um pouquinho a mais. Ainda vejo os seus olhos nos meus. Ainda me sinto inacabada. Ainda me pergunto tudo. Ainda quero. Ainda desnorteada. Ainda. Ainda. Ainda.

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      02/18/12

    • Ser o maior do mundo em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade.
      (Nelson Rodrigues)

      02/18/12

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      (Guimarães Rosa)

      02/18/12

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      02/16/12

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      breakfaston:

      nice game


      02/16/12

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