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O último gole na festa do Jardim
Foi uma delícia. Às vezes eu me via perdida, embevecida em sensações tão diversas ao ver aqueles seres possuírem, transformarem, transmutarem algo que outrora foi apenas meu, fruto do desespero de quem é viciada em viver o momento.
Entendi também muito sobre estar com atores que caminham em uma linha esticada entre a entrega e a fuga, dada a natureza imediatista do processo que precisa ter sempre os olhos no resultado.
Tão diferente da minha senda da vida, do meu Teatro de Grupo, da minha natureza viansatânica. No entanto, ainda assim, a Verdade que foi o nascedouro deste Jardim Secreto se mostrou maior do que qualquer apertado cronograma, e resultou no contágio digno de qualquer movimento onde há o real Encontro. Honramos o Teatro.
Não sei o quão sinceros esses seres serão para admitir, assumir, confessar o quão intrincado foi o caminho percorrido nesse tão escorregadio terreno. Para além da cena, para além dos 18 minutos em que os Anos 80 tomavam posse, eu sei o que eu vi.
Eu sei dos silêncios absurdamente densos, dos sussurros em orelhas, das risadas de prazer banhado em culpa, do surpreendente, do inesperado, das falas com destinatário oculto. Eu sei de tudo o que jamais será contado.
Selaremos agora as correntes do portão desse Jardim, e agradecerei ao Universo por tudo o que experimentamos, ébrios da profusão de sensações que permitimos brotar de nossos mais recônditos desejos de devassidão.
E não haverá ressaca. Não haverá.
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