Escrevi esse texto em 11 de Agosto de 2011. O mundo girou, girou e girou e ele ainda está fresquinho como se tudo tivesse sido anteontem. E agora respira para o mundo, finalmente.
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Não tenho vontade de julgar o mérito artístico de Breve, último espetáculo do Teatro da Queda, que assisti ontem no Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha. E não o farei. Portanto, os virtuais visitantes que resolverem me ler nesse texto, não devem esperar encontrar descrições resenhísticas sobre o evento. Na verdade, isso nem passou por minha cabeça quando resolvi escrever sobre um trabalho de teatro, coisa que não costumo fazer, aliás, acho que nunca fiz nesse Caleidoscópio. No entanto, o desejo de registrar por escrito minhas reflexões acerca da experiência que vivi ali me veio ainda durante a sessão. A experiência, sempre soberana.
Thiago Romero e eu não nos conhecemos bem, nos cruzamos algumas vezes no caldeirão do meio teatral de Salvador, temos amigos em comum, e curiosamente viemos do mesmo lugar, o Rio de Janeiro. Esse é o primeiro trabalho dele que assisto. Cheguei a ouvir que o Teatro da Queda e o Teatro Saladistar tinham elos estéticos, pesquisas afins. Fui de coração aberto para finalmente adentrar aquele universo.
Confesso. Saí de lá inspirada. Pensando assim: há o novo, e o novo vem, e é absolutamente fabuloso quando podemos respirá-lo. Realmente tenho a sensação de que vi o resultado cênico de um processo que incluiu a verdade como elemento criativo. Não perdi meu tempo ao me sentar num espaço despojado da tão manjada configuração palco-platéia. Sentei-me para partilhar, e assim se deu a experiência, aqueles seres, atores, intérpretes, me deixaram enxergá-los, bem como vi Thiago, vi um grupo maior do que a soma de cada um, vi o futuro livre do ranso de regras sem alma, vi algo que quero ouvir, que me envolve e me interessa, mesmo que não seja meu, mesmo que não seja eu, mesmo – e graças por isso – não precise estar próximo a mim. São outras vidas, outras falas, outros mundos, outras existências. Graças por isso também.
Mais. Além de tudo isso, não me senti num consultório de psicanálise. Era teatro. Pensado, costurado, urdido. Como sempre repito, para além das conjecturas alheias de petulância, é necessário dominar o código, o que a famosa soberana Tríade que tanto cito enquanto artista – ator, espaço, espectador – nos mostra é que o efêmero da experiência teatral é aquilo que o torna mais poderoso. Verei mais do Teatro da Queda, feliz por novamente pensar na palavra Geração, tal qual pensei quando experimentei os generosos goles da paradoxal bebida do Alvenaria de Teatro, por seu caráter ébrio e entorpecente em simultâneo.
Durante Breve, me peguei sorrindo em êxtase de coração tranquilo, por pensar que ficaremos, todos nós que cremos, no mais amplo e diverso sentido, na comunhão. A cachaça do teatro é o aqui e agora, o hic et nunc que me repete aos olhos de dentro que não se fazem mais necessárias, não ali, as convenções de ilusão. Faz tempo que não vou a teatro para ser enganada. E aquela breve experiência de ontem, naquele CABARÉ DOS NOVOS, me fez mais verdadeira.


Um Comentário
Tanto tentei mas não consegui assistir. Aliás, pelo que li, assistir não, PRESENCIAR.
Espero que volte brevemente.