Eu esperei. Agora é a primeira noite de inverno.
Há um momento em que tudo aquilo escapa das mãos. Quer ganhar o mundo. Há um momento em que as mãos esquentam tanto que é preciso tocar para deixar ir, para propagar, para expandir. Desejei a vida inteira esse segundo, em que o dito sucumbe à força ancestral da pele e a palavra torna-se irreversivelmente carne.
Pensava no transe às avessas, ritual de todas as segundas. Esse estado permanente de ebriez agora é maior do que se possa consumir em doses saudáveis. Estou doente. Estou empesteada, picada por serpentes, sugada em minha essência, delirante em febre, e ainda assim, nunca me senti tão viva. Ai, que vontade de gritar como louca aos quatro ventos o prazer do descontrole, da crueldade, da concupiscência.
Não há nada mais claro que pensar no quanto pertenço a esta palavra, esta palavra-carne, esta palavra-seda, esta palavra-viva, esta palavra-encantamento. Esta palavra está a meu redor, brincando de entrar e sair em mim, na ponta dos meus dedos, no calor da minha língua, no cio do meu sexo.
Ai, essa palavra que sou eu, que são 15, capaz de queimar os desavisados em fogo grego, capaz de nos arder na loucura consciente e santa na qual nos lançamos quando nascemos – ouvimos – e corremos de encontro ao Encontro.
Nasce para o mundo, Viansatã.
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Ao som de Simpathy for the devil, tocada por Guns N’ Roses.




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[...] Viansatã encontrei amigos pra todas as vidas que tiver que viver. E alguns que já caminhavam comigo em [...]