Sobre isso

O lugar está às escuras. Sussurros crescem até que frases tomem corpo e peso, em um tom que torne impossível o ignorar. Com as frases vem a música, acordes de violoncelo, sopro de acordeon e um ar romântico de dois séculos atrás, do início dos primeiros parques de diversões, um som que lembre maçã do amor dividida por dois, viagem de carrossel.

As luzes revelam pouco a pouco uma estreita passarela, que leva a um jardim secreto de árvores espinhosas e espessas, de verde oliva e carmesim, cujos frutos são pedaços de espelhos. É ali que ela chega, a mulher com um pequeno baú que lembra uma caixa de música. Não parece ouvir as frases que se estendem como reminiscências diante de quem ouve. O jardim brilha e revela recantos inexplorados quando suas sombras são clareadas por uma luz quente e latina. A mulher com o baú se senta no centro do jardim, ela conhece o lugar, aquele jardim é dela. Ali ela revela seus delírios, lembranças, angústias, vontades. O jardim, as árvores do jardim e seus frutos-espelhos são o seu diário.

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