Aos olhos castanhos
Cada um é dono de sua própria vida o suficiente para se arrepender.
O prêmio poderia não estar lá no final do caminho e a glória seria dor num lance de sorte ignorante, tornando burrice o ato de lustrar o troféu pensando que até dos erros se extrai brilho.
Se há erros que valem a pena serem cometidos não sei, mas os caminhos que valeram a pena serem percorridos marcaram os pés de minha memória. Não quero nenhum erro que cometi de volta, não quero testar o amor de ninguém, não quero depender da atenção de ninguém, não quero chamar a atenção de ninguém, vaidade é para ser colocada no cabresto, todo mundo tem sua própria vida e, como disse uma amiga minha, ninguém vai levá-la por mim.
Acertando ou errando, amando ou odiando, se importando ou não, os seres humanos fazem suas próprias escolhas. E eu também.
Renato Russo, Cássia Eller e Zeca Baleiro acompanhavam outra amiga de tempos esvaídos, que gritou sobre os meus grandes olhos castanhos não servirem de nada se não vejo. E nesses dias estranhos, de poeira espessa grudada nas janelas para o futuro, me resta o intenso presente.
Ao som do Legiãop Urbana sigo para o altar do sacrifício de mais uma metamorfose inevitável. Essa chuva não esconde o mar, só o torna castanho.
Sobre este texto
Você está lendo “Aos olhos castanhos,” uma postagem do blog Topo do Vento
- Publicado em:
- quinta-feira, janeiro 5th, 2012 às 1:54
- Autor:
- Victor Dimondes
- Categoria:
- DiMinsões
1 comentário
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