Aos olhos castanhos

Cada um é dono de sua própria vida o suficiente para se arrepender.

O prêmio poderia não estar lá no final do caminho e a glória seria dor num lance de sorte ignorante, tornando burrice o ato de lustrar o troféu pensando que até dos erros se extrai brilho.

Se há erros que valem a pena serem cometidos não sei, mas os caminhos que valeram a pena serem percorridos marcaram os pés de minha memória. Não quero nenhum erro que cometi de volta, não quero testar o amor de ninguém, não quero depender da atenção de ninguém, não quero chamar a atenção de ninguém, vaidade é para ser colocada no cabresto, todo mundo tem sua própria vida e, como disse uma amiga minha, ninguém vai levá-la por mim.

Acertando ou errando, amando ou odiando, se importando ou não, os seres humanos fazem suas próprias escolhas. E eu também.

Renato Russo, Cássia Eller e Zeca Baleiro acompanhavam outra amiga de tempos esvaídos, que gritou sobre os meus grandes olhos castanhos não servirem de nada se não vejo. E nesses dias estranhos, de poeira espessa grudada nas janelas para o futuro, me resta o intenso presente.

Ao som do Legiãop Urbana sigo para o altar do sacrifício de mais uma metamorfose inevitável. Essa chuva não esconde o mar, só o torna castanho.


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