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	<title>Topo do Vento</title>
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	<description>O vento traz mudanças...</description>
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		<title>Diário de Bordo de um Partícipe: Três Noites de Cobre (Noite 1)</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Apr 2012 22:04:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor Dimondes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ligação Direta]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Você veio ver dessa vez&#8221;. Foi essa a frase dita a mim por Daniel Moreno, Sacerdote Cardeal Norte, número 12. Vim para assistir ao 3º experimento cênico do Viansatã, o primeiro experimento onde eu iria estar presente como Partícipe e não como atuante. A expectativa de estar do outro lado da ponta da fita de cetim [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Você veio <strong>ver</strong> dessa vez&#8221;. Foi essa a frase dita a mim por Daniel Moreno, Sacerdote Cardeal Norte, número 12. Vim para assistir ao 3º experimento cênico do Viansatã, o primeiro experimento onde eu iria estar presente como Partícipe e não como atuante. A expectativa de estar do outro lado da ponta da fita de cetim vermelha estava&#8230; agitada. O que veria, o que sentiria, o que acharia?</p>
<p>Na entrada uma fita de cetim foi amarrada a meu pulso, o que me remeteu a um corte. Desci aqueles dois lances de escada que levavam a sala do Espaço Cultural Ensaio onde o experimento seria apresentado. Lá estavam os atuantes/Sacerdotes nos recepcionando. Foi uma experiencia oposta ao último experimento, pois em lugar da agressividade uma recepção calorosa. Mas, claro, dotada de um certo cinismo, por que com certeza não estávamos descendo à tumba do Viansatã para tomar chá.</p>
<p>Chegando ao espaço, outro choque. No lugar de uma &#8220;floresta&#8221; de objetos como foi visto no experimento anterior, há um espaço dividido: um vazio e um cheio de cadeiras, que em breve será ocupado pelos partícipes. A bêbida Viansatã é servida, e ao ingeri-la sinto um outro estado se instalando em minha consciência. Beberia e comeria o Viansatã naquela noite, e eles estavam lá para oferecerem-se como ceia.</p>
<p>Com todos ainda em pé no espaço vazio, eles conversam e cumprimentavam a todos ao tempo em que nos cercam. Pareciam uma nuvem negra e vermelha ao nosso redor devido as cores das vestes que usam. O vazio naquele espaço me incomoda&#8230; Finalmente podemos sentar nas cadeiras depois que os Sacerdotes Viansatã terminam a recepção. Hora do ritual.</p>
<p>Guitarra. Movimentos. Um &#8220;abismo&#8221; entre os Sacerdotes e os Partícipes. Os Sacerdotes ascendem cada vez mais. Penso comigo mesmo que está havendo uma exposição tão grande daquelas pessoas, até aquele momento, tão absolutamente honesta, honestidade não no sentido prosaico, mas no sentido de algo que se coloca em sua frente, diante da suas vistas. Eles dançam em círculo ao som da guitarra de Jonatas Pinheiro, Sacerdote número 10 (aquela melodia acida e pesada e languida não sairia da minha cabeça durante toda a noite).</p>
<p>Antes de se agruparem em círculo os Sacerdotes olharam os Partícipe, e Jones Mota, Sacerdote número 5, tinha um olhar tão forte que não tive dúvida de que estava metafisicamente alterado. É um termo que uso para definir um momento em que o ator está mais do que fazendo um esforço físico ou psicológico para viver um personagem. É quando ele parece mais do que entender e consegue uma disposição de ser. Afinal de contas, um personagem é um ser invisível, sentimentos são invisíveis, porém são, não são?</p>
<p>Ao terminarem sua dança, os Sacerdotes seguem rumo à provocação. Não vale a pena falar como fazem isso. Não agora&#8230;</p>
<p>O Caos de repente tem início. Uma fita cobre guia a eletricidade. Sobram escombros do local onde esteve os Partícipes&#8230; pó. Fomos retirados de lá pelos Sacerdotes para conhecer a manifestação dos personagens de Cuprum. Mirela Gonzalez, Sacerdotisa número 2, me unio a outros Partícipes. O espaço que era vazio estava ocupado novamente por outros agrupamentos, que assistiam outros Sacerdotes espalhados pelo espaço. Mirela&#8230; ou melhor dizendo a personagem encarnada pela Sacerdotisa número 2, fazia gestos no ar, como que desabotoando seu colete. O que ela desejava expor? O que ela desejava abrir? O que sairia daquela boca? &#8220;Que saia pela boca&#8221;, disse Amanda Maia, Sacerdotisa número 15.</p>
<p>A personagem tinha uma boneca. E nos momentos que se seguiram essa boneca virou metonímia de todo desejo, vontade, necessidade dessa personagem apaixonada, suja. Ela fez mais do que confessar. Ela compartilhou sua sujeira conosco. Se a sujeira é ruim? &#8220;Que seja santo por que é sujo&#8221; outra das falas da Sacerdotisa número 15.  Não seria a sujeira que nos desenha? Não seria a sujeira a tinta do carimbo de nossas vontades, pronto para marcar essa folha em branco, esse vazio que está aí, lá, cá? O sagrado não seria reconhecer o que há de significante no vazio? E o que fazem os carimbos senão sujar e reconhecer papéis?</p>
<p>Lembrei-me que atuar antes de se tratar de técnicas, estudos e glamour, é compartilhar. E foi o que Mirela fez. E nós que estivemos com ela comemos desse pão e desse vinho que foram o corpo e o sangue dela/da Sacerdotisa/da personagem.</p>
<p>Ao meu redor estavam outros nesse mesmo ato de compartilhamento. Mesmo curioso para vê-los, fiquei em consideração aquela criatura. Não diferenciei o teatro da vida naquele momento&#8230; Por consideração a <strong>quem</strong> eu permaneci? Ainda tentei sair, mas aí já era tarde. A hora deles mergulharem em seus desesperos e necessidades tinha chegado. A fome os consumiu&#8230;</p>
<p>Houve nesse novo experimento do Viansatã uma redução ao essencial tão radical, que não pude fazer mais do que me silenciar ao final dessa primeira noite, e trocar os aplausos por abraços quietos e um olhar nos olhos de cada um daqueles artístas que me lembraram por que escolhi fazer teatro.</p>
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		<title>Sobre poesia</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Mar 2012 03:46:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor Dimondes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ligação Direta]]></category>

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		<description><![CDATA[Lembro de ter achado Drummond chatinho chatinho nos meus insuportáveis 16 eternos anos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É tão estranho que um bicho sentimental como eu não tenha repousado a paciência sobre poesias.</p>
<p>Lembro de ter achado Drummond chatinho chatinho nos meus insuportáveis 16 eternos anos. Hoje leio Drummond e o acho tão simples, tão essencial.</p>
<p>Há momentos em que há surtos onde os seres mostrados pelas suas palavras explodem. Outros momentos onde tudo culmina em um mar aberto de significados, onde a poesia da existência fica suspensa no ar. Mas tudo num tom de alguém que lhe fala da cadeira de um avó.</p>
<p>Ando a procura de uma poesia masculina, aberta, enfática. Mas essa poesia da existência suspensa no ar, como um instante congelado nas retinas&#8230; Drummond é tão bom nisso.</p>
<p>E sobre a poesia das mulheres? Isso é material para outro texto.</p>
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		<title>Pinóquio retira as cordas: Sobre a consciência do caminho e um pouco de fogo divino</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Mar 2012 12:22:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor Dimondes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ligação Direta]]></category>

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		<description><![CDATA[Vamos queimar o pávio.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Consciência significa com conhecimento. Para se adquirir esse conhecimento é necessário se percorrer um caminho que será inevitavelmente uma experiência. Sabendo um saber ainda pálido devido à falta de aprofundamento, sei que Jung afirmou que a consciência é uma invenção recente da humanidade.</p>
<p>A consciência dentro dos estudos de Jung parece se associar à “luz” trazida ao desconhecido, a uma busca de heróis arquetípicos por algo que os faz saber de si, e essa busca é contada em histórias que determinam o caminho de sociedades inteiras. Mas a saga de um herói tem sempre haver com o mergulho nas sombras, no desconhecido, metáfora para o inconsciente.</p>
<p>Não sei ainda sobre o significado do termo inconsciente, mas sei que a imagem que tenho dele é uma massa escura e caótica. Deste lugar é possível extrair a criação, dar luz a algo novo. E não é assim em todo caminho? Não é necessário que nós, mortais, nos aventuremos em lugares novos como bancos, escolas, bairros, casas, relacionamentos, países até conhecer? Os heróis são metáforas para indivíduos de carne, sangue e ossos. A experiência precisa ser devolvida ao humano, e os seres de sonhos precisam voltar ao fogo longínquo de Prometeu.</p>
<p>Precisamos nós mesmos produzir nossas chamas. É nosso irremediável destino, nosso bem e maldição. Somos criadores, ou ao menos há quem seja. As luzes da TV e do cinema são uma fogueira elétrica, os livros e quadrinhos são desenhos nas cavernas, o teatro é na carne.</p>
<p>O processo é a própria vida, e o teatro desemboca do rio da vida para a vida. Uma ponte entre a luz e as trevas, como qualquer outra arte. Mas ela é no aqui e agora e com o cosmos.</p>
<p>Uma nuvem ética paira em minha mente desde os tempos em que comecei esse caminho como aquele que ensina e aprende. Faço pelo meu bem ou pelo bem do outro? No caminho com meus queridos demônios aprendi que a diferença entre Paradoxo, Danação e Ouroboros é a fé.</p>
<p>Eu acredito que cada um estará buscando ao seu modo pelo crescimento pessoal. E isso me inclui. Eu acredito que o ensino seja espetacular. Que no final, depois de todas as músicas, sons, falas, silêncios, corridas, paradas, tudo vai ter valido cada centavo extraído das gotas de sangue de todos. Eu acredito na mobilização. Eu acredito no coletivo. Eu acredito que coisas maiores nos atravessam nos palcos pequenos e nos palcos da vida. E que precisamos mais do que saber disso pela experiência já passada. Precisamos comemorar isso e extrair da luta pela comemoração e pela vida algo novo e nosso. Nosso.</p>
<p>Vamos queimar o pávio. Vamos acender os corredores. Tudo começa com uma caminho&#8230;</p>
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		<title>A dança de Têmis: Devaneios sobre o que é a verdadeira força e verdadeira justiça</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Feb 2012 22:57:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor Dimondes</dc:creator>
				<category><![CDATA[DiMinsões]]></category>

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		<description><![CDATA[Não há impunidade ou inocência absoluta, muito menos há uma balança garantindo o equilíbrio das coisas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Qual é a força absoluta? A criadora ou a destruidora?</p>
<p>Se for como Artaud falou, há então um equilíbrio cruel na existência. Se bem me lembro assim ele escreveu: &#8220;está claro para mim que viver significa a morte de alguém&#8221;. Criar seria destruir, e destruir seria criar.</p>
<p>Não há impunidade ou inocência absoluta, muito menos há uma balança garantindo o equilíbrio das coisas. Para mim, a balança é um instrumento comercial, de medir a exatidão de valores que geralmente não dizem respeito ao coração.</p>
<p>Por isso ter nascido com o meu deus da guerra sob os cuidados do signo de Libra me incomoda. Uma balança não pesa minha fúria, nem minha tristeza, nem minhas alegrias, nem meus impulsos. Acho mesmo que Têmis só usa a espada para cortar, mas a sua verdadeira arma é uma balança idiota (me perdoem os deuses&#8230; é uma questão metafórica).</p>
<p>O equilíbrio é a dança dos opostos. E por isso é do tempo a verdadeira justiça, pois o que é a dança senão movimentos cíclicos no tempo? E indo mais fundo em devaneios delirantes: será que dançarinos são bons juízes?</p>
<p>Ora, até os cegos dançam, pois não são dos olhos que dependem os passos. Assim, tenho a disposição de acreditar que Têmis ainda pode julgar bem, basta que sinta.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A dança com os Sete Demônios</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Feb 2012 18:58:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor Dimondes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficções Confessas]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dia eu dancei com sete demônios.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dia eu dancei com sete demônios.</p>
<p>Um deles cravou os dentes em minha língua. O outro cravado na terra como uma torre olhou para baixo sem desmoronar sequer uma gota de suor. O terceiro diabo por baixo tocou em meus ouvidos com uma risada enfurecida de escarnio vinda de pesadelos. Havia o demônio da morte, com quem não me atrevo a dançar com facas. Houve o demônio que sorriu para mim. Houve aquele que de ar terra ficou. E o sétimo demônio era eu.</p>
<p>Quase nada restou ao final da dança. Sobrou apenas o final do delírio, e o saudosismo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O mito da caverna de um nerd</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Feb 2012 01:59:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor Dimondes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficções Confessas]]></category>

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		<description><![CDATA[... não era esse o caso da bela silhueta de uma morena que encontrei na janela do prédio vizinho.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>São 22h55. Estou parado na janela da área de serviço, com uma xicara de café saciando meu cansado juízo. O Vale do Canela separa o prédio de onde estou de um prédio gigantesco no Corredor da Vitória.</p>
<p>Sempre me distraio com as luzes nas janelas dos prédios, que expõem as caixas mágicas onde os seres humanos vivem numa cidade. E aí, em algum andar não muito alto, vejo aquela garota ou mulher indo em direção a janela de seu quarto, com um vestido preto e parte do cabelo preso, porém deixando outra parte solta – realmente desconheço o nome desse tipo de penteado.</p>
<p>Pude reparar apenas que era morena. E aí apoiou seu ventre na sacada da janela, me fazendo ver apenas sua silhueta contra a luz amarela do quarto. Por mais que ame silhuetas, eu realmente acho descortês ser <em>voyeur</em>. Desvio o pescoço e olho o céu, outros prédios, sei lá, qualquer porra na minha frente.</p>
<p>Mas meus olhos voltam lá – de todas as partes do meu eu, os olhos são os que menos ou nada obedecem. E reparo que ela está com o braço direito deitado na sacada, enquanto o cotovelo do braço esquerdo o deixava naquela posição em que a mão encontra-se solta, livre, esvoaçante no ar enquanto segura um cigarro aceso. Essa é a posição de quem fuma na janela.</p>
<p>E como sabia fumar. Há mulheres que fumam feito crianças tentando impressionar a vida, outras que fumam desvairadamente por puro vício ou ansiedade, outras que fumam feito zumbis. Felizmente não era esse o caso da bela silhueta de uma morena que encontrei na janela do prédio vizinho.</p>
<p>E continuo tomando meu café em rápidos goles enquanto meus olhos parecem esponjas tentando sugar o nanquim bem feito daquela sombra de mulher. Quando sinto só aquele açúcar que fica depositado no fundo da xícara, abandono a janela onde eu estava. Não sem antes pensar se ela por acaso não tinha me visto também&#8230;</p>
<p>Depois de viver esse pequeno mito da caverna e de ter uma ideia descente para um texto, vou dormir. Por Deus, tenho um longo histórico de paixões por mulheres que não existem – triste efeito de meu fanatismo por desenhos animados japoneses e música <em>indie</em> vagabunda – para dar mais ousadia a uma miragem noturna.</p>
<p>Mas que aquela morena fumava bem, disso tenham certeza. Ou não&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Hierofania 1302</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Feb 2012 01:53:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor Dimondes</dc:creator>
				<category><![CDATA[DiMinsões]]></category>

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		<description><![CDATA[... aquele abajur vai estourar em fogo pagão...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O mundo gira e gira. Assim como seus olhos que não param de ver.</p>
<p>Como cheguei aqui?</p>
<p>Como acabei encontrando a ponta de seus dedos no meio de meu caminho?</p>
<p>Como peguei em sua mão, e aceitei ser levado pela vida?</p>
<p>Eu sabia que meu coração estaria bem guardado ao seu lado.</p>
<p>Transformei as batidas tristes e tediosas das musiquinhas indie que ouvia em rock and roll quando você me mostrou o peso dessa poção chamada vida.</p>
<p>E nas minhas lembranças, aquele abajur vai estourar em fogo pagão, lembrando do que criamos naquele quarto de confissões, filmes, poesias, delírios, cigarros e martines.</p>
<p>Hierofania.</p>
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		<title>Para a Senhora Raposa</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 03:17:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor Dimondes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficções Confessas]]></category>

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		<description><![CDATA[Linda Raposa, É tão bom ser responsável por algo. Não reconhecia os prazeres de alimentar flores e sonhos, de cuidar de planetas e coisas. Ser responsável é algo inexplicável, e eu por tanto tempo evitei isso&#8230; Por que? Não sei Raposa. Talvez por achar que o que criamos deveria andar sozinho, se cuidar, se banhar. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Linda Raposa,</p>
<p>É tão bom ser responsável por algo. Não reconhecia os prazeres de alimentar flores e sonhos, de cuidar de planetas e coisas. Ser responsável é algo inexplicável, e eu por tanto tempo evitei isso&#8230;</p>
<p>Por que? Não sei Raposa. Talvez por achar que o que criamos deveria andar sozinho, se cuidar, se banhar. Ou talvez por achar que eu ainda era criatura, e não criador. Ou mesmo por acreditar que sorrir depende apenas do sorrir&#8230; a agora acho que não Raposa. Acho que sorrimos por que somos responsáveis por algo, por que podemos e sabemos e amamos cuidar tanto ou mais do que sermos cuidados.</p>
<p>Nenhum sorriso é de graça. E durante muito tempo pensei que isso era cruel. Mas é como me falou um moço de teatro uma vez: &#8220;há crueldade até no cheiro de uma rosa&#8221;. Cuidar é tão ou mais cruel do que açoitar, amar é tão ou mais violento do que matar, sorrir é tão ou mais brutal do que odiar.</p>
<p>É necessário mais força para ser inteiro do que força para se mutilar.</p>
<p>Perdão Raposa. Talvez essa carta esteja ficando forte demais&#8230;</p>
<p>Mas queria que a senhora me respondesse como ser responsável por aquele que eu cativo. E um dia sei que você vai me responder.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Serpente</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Feb 2012 00:55:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor Dimondes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Toques Noturnos]]></category>

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		<description><![CDATA[O veneno é água do beijo da serpente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meus pais são terra onde cresci. Terra também vou ser.</p>
<p>A serpente se arrasta em minhas raizes, se queima de sol em meu pedaço de terra, faz amor em minha seiva, faz casa em minha veia.</p>
<p>O veneno é água do beijo da serpente. Alimentada, todas as tardes sou amada.</p>
<p>A serpente sai rumo ao mundo resto. Minhas raizes são meu mundo.</p>
<p>Meus pais são a terra onde cresci. Terra também vou ser. Serpente sempre será serpente em mim.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Lambada de Serpente (Djavan)</p>
<div id="div_letra">
<p>Cuidá dum pé de milho<br />
Que demora na semente<br />
Meu pai disse meu filho, noite fria, tempo quente</p>
<p>Lambada de serpente<br />
A traição me enfeitiçou<br />
Quem tem amor ausente já viveu a minha dor</p>
<p>No chão da minha terra<br />
Um lamento de corrente<br />
Um grão de pé de guerra<br />
Pra colher dente por dente</p>
<p>Lambada de serpente<br />
A traição me enfeitiçou<br />
Quem tem amor ausente já viveu a minha dor</p>
</div>
]]></content:encoded>
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		<title>Caminho</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Feb 2012 20:05:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor Dimondes</dc:creator>
				<category><![CDATA[DiMinsões]]></category>

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		<description><![CDATA[Reconheço que a verdade e a disciplina não são fáceis.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Criar tem haver com capacidade e incapacidade. Os opostos dançam e testam o criador, e o equilíbrio entre satisfação e o oposto deve ser o suficiente. Prazer e dor sempre estão lá, aliá-los é um tipo de desafio quando crio.</p>
<p>No final é fazer de algo uno. É ser uno com o universo que se trata a busca.</p>
<p>Aprendi a respeitar o caos além de vivê-lo.</p>
<p>O que criar afinal? Verbalizar o impossível, possibilitar o indizível, e viver o que deve ser transmitido. Há um caminho.</p>
<p>Reconheço que a verdade e a disciplina não são fáceis. Cuidar da cria menos ainda. Mas é isso o que faço e é nisso que acredito. Nós nascemos para criar.</p>
<p>A minha mais profunda angustia é que eu não sei onde vou parar. Não há um porto seguro, não há garantias, não há certezas. E por mais que seja dessa forma, reparo que eu caço esse estado o tempo todo. E sei por que: Quero provar que posso superá-lo.</p>
<p>Porém estou um pouco mais velho agora, e desejo fazer algo diferente. Não vou tentar provar nada a mim mesmo. Há um caminho, e percorrê-lo é suficiente.</p>
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