Indulgência ao discarado
Olha menina, você merece mais. Eu me visto com essa camisa preta, uso esses óculos, vivo com livros na mão mas é tudo mentira. Eu sou um discarado.
Não posso dizer que sou homem, nem mulher nem bicha. Sou discarado. E você merece mais.
Todo mundo quer alguém que chegue lá fundo ou ir lá fundo em alguém, não somente no sexo como também no coração.
Meu coração não tem fundo meu bem. Sou um pires que transborda até com uma olhada acidental, e você não pode ir muito longe em mim.
Eu sou barato, e você merece mais. Merece um homem capaz de alcançar tudo o que você tem por dentro. E eu não posso fazer isso, pois além de quase não ter coração também não sou tão bom assim de cama.
Mas se você quiser, mesmo desse jeito assim, errado como sou, vir comigo essa noite, aviso que sou um discarado leal. Só essa noite, deixa eu te usar, e me use do jeito que quiser. Ruim ou bom, do jeito que for, vamos nos usar.
Por que no fim meu bem, o que vale não é quem eu sou, ou quem você é. No fim o que vai valer é o encontro. E eu quero te encontrar do jeito que você for.
Nota do autor: Eu não gosto da palavra descarado. Discarado é bem melhor.
Sobre este texto
Você está lendo “Indulgência ao discarado,” uma postagem do blog Topo do Vento
- Publicado em:
- quinta-feira, janeiro 19th, 2012 às 11:56
- Autor:
- Victor Dimondes
- Categoria:
- Ficções Confessas
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