“As referências à alquimia e ao pensamento hermético são especialmente importantes para compreendermos certos aspectos da transformação orgânica proposta por Artaud.
Na perspectiva de certos intérpretes, a função principal da alquimia não era a de transformar metais em ouro. As complexas alegorias e símbolos referentes a este processo designariam, fundamentalmente, o percurso iniciático do próprio alquimista. Trabalhar substâncias da natureza, como os metais, significava também trabalhar sobre os próprios estados físicos e mentais. Este paralelismo se baseava na ideia de que a matéria encontrada na natureza e o corpo psico-somático do homem eram modificações de uma mesma “substância primordial”, ou matéria prima. Por isso, no discurso alquímico, as operações realizads sobre os metais podem ser lidas também como “símbolos” de operações realizadas sobre o corpo-mente.”
QUILICI, Cassiano. O Teatro e a Ação Ritual. In: Antonin Artaud – Teatro e Ritual. São Paulo: Annablume, 2004. P. 52.
Na foto de Izabella Valverde, o atuante Ângelo Pinheiro em simbiose com Marco Antônio, seu personagem de pesquisa, no 2º experimento do Núcleo Viansatã (Théâtre des Vampires: Confissão) em Julho de 2011.


De fato um trecho precioso do texto de Quilici. A loucura toda está nessa fantástica metáfora da alquimia. É tão fabuloso pensar que na verdade a alteração se dá em nós mesmos… tão essencial.
Quando mudo de quarto, o que mudou afinal? Eu ou o quarto? Quando crio, o que se altera? A criação ou eu? E o que aquele que faz teatro altera em sua percepção, corpo e meio quando está em espaço sagrado?
As matérias primas são radioativas. Nos alteram. Se um homem muda por ser um operário, o que dizer de alguém que trabalha com significados?
Talvez tenha saído um pouco do tema do texto. Mas não custava nada viajar… Bjs.
(ou, eu te quero, eu te necessito, Quilici!) rsrs
Fantástica referência.
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