Quilici e Alquimia em Artaud (ou, eu te quero, Quilici!)

VIANSATÃ CONFISSÃO por Izabella Valverde (17)

“As referências à alquimia e ao pensamento hermético são especialmente importantes para compreendermos certos aspectos da transformação orgânica proposta por Artaud.

Na perspectiva de certos intérpretes, a função principal da alquimia não era a de transformar metais em ouro. As complexas alegorias e símbolos referentes a este processo designariam, fundamentalmente, o percurso iniciático do próprio alquimista. Trabalhar substâncias da natureza, como os metais, significava também trabalhar sobre os próprios estados físicos e mentais. Este paralelismo se baseava na ideia de que a matéria encontrada na natureza e o corpo psico-somático do homem eram modificações de uma mesma “substância primordial”, ou matéria prima. Por isso, no discurso alquímico, as operações realizads sobre os metais podem ser lidas também como “símbolos” de operações realizadas sobre o corpo-mente.”

 

QUILICI, Cassiano. O Teatro e a Ação Ritual. In: Antonin Artaud – Teatro e Ritual. São Paulo: Annablume, 2004. P. 52.

Na foto de Izabella Valverde, o atuante Ângelo Pinheiro em simbiose com Marco Antônio, seu personagem de pesquisa, no 2º experimento do Núcleo Viansatã (Théâtre des Vampires: Confissão) em Julho de 2011.

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2 respostas »

  1. De fato um trecho precioso do texto de Quilici. A loucura toda está nessa fantástica metáfora da alquimia. É tão fabuloso pensar que na verdade a alteração se dá em nós mesmos… tão essencial.

    Quando mudo de quarto, o que mudou afinal? Eu ou o quarto? Quando crio, o que se altera? A criação ou eu? E o que aquele que faz teatro altera em sua percepção, corpo e meio quando está em espaço sagrado?

    As matérias primas são radioativas. Nos alteram. Se um homem muda por ser um operário, o que dizer de alguém que trabalha com significados?

    Talvez tenha saído um pouco do tema do texto. Mas não custava nada viajar… Bjs.

  2. Jones Mota disse:

    (ou, eu te quero, eu te necessito, Quilici!) rsrs

    Fantástica referência.

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Marcado em sangue

Posso ser bem radical quando se trata do meu sacerdócio. Meu suor é feito de veneno viansatãnico. Não é por dinheiro, não é por moda, não é por profissão. Já se misturou a mim no nível celular, molecular, atômico. Não há que se entender nada os forasteiros, não me interessa os olhos esbugalhados de quem não experimenta a si mesmo nessa senda que escolhi. Importa pra mim apenas os que bebem da mesma Vontade, e esses são 10.

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Com esse espetáculo inauguramos também uma forma nova de produzir nossos intentos: o arco. Porque o processo artístico viansatânico é sagrado. O que encontramos quando vamos à procura de um novo limiar, pois é nas bordas dos precipícios que mora tudo o que dividimos com o mundo, é tão cruelmente importante quanto o momento em que tudo se revela carne. Leia o texto completo »

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Luigi Pareyson e eu

Os Problemas da Estética

Ai, esse italiano e eu não nos desgarramos mais. Cada vez mais íntimos, mesmo com as dificuldades típicas da minha desordenada condição de vinho-novo, ele sussurra seus segredos para que eu verta minha dissertação, adicionando mais à poção que um santo-velho-louco me incumbiu de preparar. Dá medo. E eu gosto.

 

P.S. Tenho a impressão de vou falar muito sobre isso nos próximos dias.

A foto de Victor Diomondes.

Sobre ansiedade

Alice

Não temos pressa. Andamos devagar para chegar mais longe.

Enquanto isso na Saladistar

JS Bastidores (3)

O Núcleo Viansatã vai bem, obrigada. Estamos em fase de estudos teóricos, após um longuíssimo período muito dedicado ao fazer prático.

Enquanto isso, o Teatro Saladistar está em seu ‘acampamento de férias’, com um projeto em parceria com A Escola de Teatro da UFBA, mais precisamente com o Projeto Ato de 4.

Trata-se da remontagem em quatro versões de um texto que escrevi e montei em 2006, chamado O Jardim Secreto. No Caleidoscópio do Éden e no Ratoeira Cênica muito pode ser encontrado a respeito desse intento artístico.

Mas o que eu gostaria mesmo é de republicar um texto que escrevi hoje, fresquinho, sobre minha experiência nesse projeto. Trata-se de uma quase crônica, uma reflexão. Leia o texto completo »

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Exigia convite

Cartão Armand

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Rice, Anne. Entrevista com o Vampiro. Rio de Janeiro, Rocco: 1992. p. 202 

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