Não temos pressa. Andamos devagar para chegar mais longe.
Escritos, poções, maldições, enlaces, sacerdócio, encantamentos. O livro do cruel caminho da encenadora do Viansatã.
Posso ser bem radical quando se trata do meu sacerdócio. Meu suor é feito de veneno viansatãnico. Não é por dinheiro, não é por moda, não é por profissão. Já se misturou a mim no nível celular, molecular, atômico. Não há que se entender nada os forasteiros, não me interessa os olhos esbugalhados de quem não experimenta a si mesmo nessa senda que escolhi. Importa pra mim apenas os que bebem da mesma Vontade, e esses são 10.
Lumus, nosso primeiro espetáculo, será um daqueles marcos históricos que já nos são tão peculiares, e nem por isso menos grandioso. Após mais de 2 anos juntos, completaremos um ciclo, que se iniciou no ano passado e todas as perguntas filosóficas que nos impomos, e todas as respostas religiosas que obtemos. Lumus será a chegada da maturidade.
Com esse espetáculo inauguramos também uma forma nova de produzir nossos intentos: o arco. Porque o processo artístico viansatânico é sagrado. O que encontramos quando vamos à procura de um novo limiar, pois é nas bordas dos precipícios que mora tudo o que dividimos com o mundo, é tão cruelmente importante quanto o momento em que tudo se revela carne. Leia o texto completo »
“As referências à alquimia e ao pensamento hermético são especialmente importantes para compreendermos certos aspectos da transformação orgânica proposta por Artaud.
Ai, esse italiano e eu não nos desgarramos mais. Cada vez mais íntimos, mesmo com as dificuldades típicas da minha desordenada condição de vinho-novo, ele sussurra seus segredos para que eu verta minha dissertação, adicionando mais à poção que um santo-velho-louco me incumbiu de preparar. Dá medo. E eu gosto.
P.S. Tenho a impressão de vou falar muito sobre isso nos próximos dias.
A foto de Victor Diomondes.
O Núcleo Viansatã vai bem, obrigada. Estamos em fase de estudos teóricos, após um longuíssimo período muito dedicado ao fazer prático.
Enquanto isso, o Teatro Saladistar está em seu ‘acampamento de férias’, com um projeto em parceria com A Escola de Teatro da UFBA, mais precisamente com o Projeto Ato de 4.
Trata-se da remontagem em quatro versões de um texto que escrevi e montei em 2006, chamado O Jardim Secreto. No Caleidoscópio do Éden e no Ratoeira Cênica muito pode ser encontrado a respeito desse intento artístico.
Mas o que eu gostaria mesmo é de republicar um texto que escrevi hoje, fresquinho, sobre minha experiência nesse projeto. Trata-se de uma quase crônica, uma reflexão. Leia o texto completo »
Aslan Grotowski Caetano Trotta Dudjerovic Lichte-Ficher Schechner Maia Artaud Eliade Bornheim Barone Cornago Fernandes Hackler Phelan Picon-Valin Lehmann Virmaux Pareyson Fischer Bédier Quilici Salles Roubine Mnouchkine Barba Coelho Cohen Pavis Brook Brown Marfuz Carlson Rice Wisnik Bürger Stein Pignatari Eco Mendes
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Temporada de Estudos Teóricos do Núcleo Viansatã de Investigação Cênica – Ano 1
“Houve murmúrios na platéia. Era a Morte, em pé frente à platéia, a foice erguida: a Morte na orla de uma floresta escura. E algo em mim reagia como o público, não com medo, mas de modo humano, à magia daquele frágil cenário, ao mistério do mundo ali mostrado, o mundo no qual aquele vulto se movia com seu manto negro e revolto, mostrando-se ao público com a graça de uma imensa pantera e provocando aqueles suspiros, aqueles sussurros e aqueles murmúrios reverentes.”
Rice, Anne. Entrevista com o Vampiro. Rio de Janeiro, Rocco: 1992. p. 202
Ariane Mnouchkine, minha musa encenadora, coloca o tempo presente no teatro na direção que desejamos seguir em nossa poética, para atender à inspiração artaudiana. Atuar no presente é uma das tarefas mais árduas que se apresenta ao ator. Leia o texto completo »
Ontem terminei a dramaturgia do 2o Experimento do Viansatã. O primeiro do nosso Ano 2. Na verdade, um roteiro de encenação para as confissões criadas pelos atuantes. Tenho duas sensações distintas dançando um tango dos infernos.
Aqueles que sentirão conosco agora terão do círculo a perspectiva do ponto central. Os sete girarão três vezes até espiralar, dissolvendo a distância que pretensamente foi feita para proteger.
Vejo raiva e fragilidade cantarem harmonicamente. Vejo sensações que se sucedem. Rastejam gargalham, gritam, sussurram, choram, escarnecem. Ouço uma oração que se comporta como melodia triste, que enche o lugar, e faz vibrar as paredes.
O som em código ricocheteia no concreto onde estão os altares. Sete santos procuram seu lugar e pintam imagens em absoluto silêncio. Fundem-se em si mesmos como monumentos de cripta que espreitam os vivos. Só a respiração, cada vez mais pesada, corta o silêncio sepulcral.
Sete espreitam os desavisados em um corredor trançado de veias vermelhas. É hora de buscar caminhos e o sangue traçará o mapa. Da primeira vez tratava-se de nós. De criar um nós. Tratava-se de tomar um copo de magia antiga e nova. Agora o desafio é perder-se para Ver.
Tenho um segredo. Desde que comecei a estudar verdadeiramente Artaud, em 2009, li o livro ‘O Teatro e seu Duplo’ enúmeras vezes. Chamo-o de ‘A Bíblia Vermelha’. No entanto, sempre pulei um capítulo.
Ao que parece, vem vindo uma imensa tempestade. É bem clara a sua presença no horizonte, embora ainda não observada.
Então me responda. Se todos os músicos são profissionais, se todos têm suas partituras e dominam tanto seus instrumentos, por que existe o Regente?
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